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Queda de pacientes em hospitais: dicas de como evitar

De 20 a 30% dos casos de quedas resultam alguma lesão, sendo que de 5 a 10% são graves

A hospitalização em si já aumenta o risco de queda, pois os pacientes não estão em ambiente familiar, muitas vezes são portadores de outras doenças que os deixam fragilizados ou estão sob prescrições de medicamentos, aumentando o risco de cair.

Quedas de pacientes contribuem para o aumento do tempo de permanência em ambiente hospitalar, custos assistenciais adicionais, além de gerar ansiedade na equipe de saúde e produzir desconfiança na credibilidade do hospital pela opinião pública. 

Para reduzir os custos ao hospital e o prejuízo a saúde do paciente a melhor forma é a prevenção. De acordo com o biomédico Cezar Leme* “a prevenção de quedas é um elemento crucial da segurança do paciente e há amplos recursos que ajudam a identificar e reduzir os fatores de risco de quedas. Entretanto, o que ocorre após uma queda é igualmente importante. Em particular, a detecção e o tratamento precoce de qualquer lesão sofrida, como um hematoma subdural ou uma fratura de quadril pode afetar fundamentalmente o desfecho”, destaca.

Segundo ele, para proporcionar segurança ao paciente e boas práticas assistenciais o hospital deve implantar o conceito quadruple aim, que é uma estratégia baseada em quatro pontos: melhorar a experiência do indivíduo em relação à assistência, melhorar a saúde das pessoas, reduzir os custos per capita dos cuidados de saúde e a importância dos profissionais de saúde na transformação da qualidade na assistência.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o investimento na melhoria da segurança do paciente pode levar a uma economia financeira significativa, além da qualidade de vida do paciente.

Segundo o biomédico, existem casos de quedas de pacientes que não são registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, por causa do medo da crítica de outras pessoas, culpa, vergonha ou autopunição. “Verifica-se também que ainda predomina a percepção de que falhas na segurança do paciente resultam apenas em ações punitivas para o profissional e isso impede que o assunto seja discutido com vistas à melhoria do cuidado em saúde e à redução de riscos ao paciente”, comenta ele, reforçando que essa prática de punição ao colaborador não gera efeitos na redução de quedas, pois é preciso investir em infraestrutura, treinamento e cultura nas instituições.

 

Consequências da queda

A queda pode levar o paciente a ter dano físico, social e psicológico. Segundo Cezar, “de 20 a 30% dos casos de quedas resultam alguma lesão, sendo que de 5 a 10% são graves, provocando medo, restrição de mobilidade, menos funcionalidade, aumentando o tempo de internação e mortalidade”.

Além do mais importante, que é o paciente, os hospitais também podem ter consequências como arranhar a imagem da instituição ou sofrer ação penal. O biomédico ainda explica que as ações judiciais podem ser causadas por negligência, imprudência ou imperícia. Segundo ele, a negligência ocorre quando o profissional age com descuido ou desatenção. A imprudência acontece por ação precipitada e a imperícia é a falta de qualificação técnica, ou seja, quando um médico sem habilitação em cirurgia plástica, realiza uma cirurgia com finalidade embelezadora, causando deformidade em alguém, por exemplo.

Os principais motivos de queda no hospital estão relacionados ao uso de medicações com atividade em SNC, imobilismo, deterioração da marcha, hipotensão ortostática, dispositivos restritivos como sondas, cateteres, equipos e delirium. “Cerca de 5% dos idosos sofrem uma queda durante a internação”, detalha.

Treinamento e capacitação

Além do investimento em tecnologia é importante capacitar a equipe de saúde e cuidadores e em caso de queda reduzir ao máximo o dano ao paciente. O treinamento de familiares e cuidadores é importante na prevenção. “Hoje contamos com uma grande gama de tecnologia que facilita a capacitação como simulações realísticas, realidade virtual aumentada, simuladores de ambientes domiciliares, entre outros. A instituição deve assegurar as informações como uso seguro e eficaz dos medicamentos, incluindo efeitos colaterais em potencial, uso seguro de equipamento médico no âmbito domiciliar, dieta, nutrição, gerenciamento da dor, entre outros”, relata Cezar.

 

Cuidados preventivos

Todos os hospitais têm processos e instruções para que a equipe assistencial trabalhe na prevenção de quedas e segurança do paciente. Por exemplo, identificar pacientes em alto risco com pulseiras ou placas, orientar paciente e cuidador para medidas preventivas, auxiliar os profissionais para transferência e marcha.

É prudente também tomar alguns cuidados em casa para evitar acidentes como deixar os ambientes bem iluminados, distribuir bem os móveis de forma que não obstrua o caminho, evitar o uso de tapetes e objetos espalhados pela casa, não andar só de meias, colocar telefone e lanterna pertos da cama, armazenar comida e demais acessórios culinários em locais de fácil alcance, não subir em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão no alto pois o risco de queda é grande e instalar corrimãos na escada. Além disso, fazer exames oftalmológicos e físicos anualmente, participar de programas de atividade física e evitar ingestão excessiva de bebidas alcoólicas são ações necessárias para prevenção.

 

*Cezar Leme

Head de vendas, marketing e desenvolvimento de negócios Vita Care

Pós-graduado em Análises Clinicas/Patologia Clínica
Pós-graduado em Biomedicina Estética
Bacharel em Ciências Biológicas Modalidade Médica
Biomédico inscrito no CRBM 16062 - São Paulo
Especialização em Patologia Clínica - HCFMUSP
Instrutor BLS American Heart  Association - Hospital do Coração
Especialista em procedimentos minimamente invasivos - dispositivos e materiais 100% biocompatíveis e bioabsorvíveis

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