O futuro da estrutura hospitalar pós-covid

O surto de Sars-Cov-2 mostrou que as instituições hospitalares não estavam preparadas para lidar com uma pandemia como a do Covid-19. Quais são as demandas primordiais para essa mudança? Confira no artigo

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Redação Vita Care

18 Dez 2020

O vírus do Covid-19 foi encontrado pela primeira vez na China, espalhando-se de maneira assustadora por todo o planeta. Assim, as estruturas hospitalares foram repensadas rapidamente durante o contágio. Equipes de engenharia, arquitetura e facilities, junto a profissionais que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus, se readaptaram e estudam, cada vez mais, para encontrar melhores soluções estruturais para uma mudança que veio para ficar.

Na live realizada pela Vita Care, com patrocínio da marca norte-americana Herman Miller, Cezar Leme, Diretor de Marketing e Novos Negócios da Vita Care, conversou sobre o futuro da estrutura hospitalar pós-pandemia com Francine Xavier, Diretora de Projetos da C+A Arquitetura para Saúde e Emerson da Silva, ex-Presidente da ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar) e Sócio-Diretor da Idein.

Dentre os pontos debatidos na live, Francine Xavier comenta que seus clientes não querem ser pegos de surpresa novamente, então, a demanda por espaços que atendam surtos contagiosos, como o do Covid-19, tornou-se recorrente: “é preciso preparar a estrutura física hospitalar em termos de fluxo, compartimento e separação de pacientes”.

Emerson da Silva complementa sobre a necessidade de separar o momento em que estamos vivendo e das tendências que estavam ocorrendo até a pandemia. Apesar da angústia devido a imprevisibilidade, atualmente, os profissionais da área pensam em espaços adaptáveis.

“Antes da pandemia, o foco era flexibilidade, com espaços de saúde fáceis de serem ampliados. Agora o grande tema é o espaço adaptável. O professor do MIT Stephen Kendall, inclusive, fala sobre os open buildings, as edificações abertas, que permitem adaptações de reestruturação imediata”, explica Emerson, sobre um dos conceitos que ganha bastante enfoque para os edifícios hospitalares.

O arquiteto acrescenta que o hospital não pode ser visto somente como um elemento único no sistema de saúde, pois uma das dificuldades de se adaptar os hospitais para a pandemia é devido a cultura brasileira de ir diretamente ao hospital, em vez de passar em consultórios ou Unidades Básicas de Saúde primeiro.

“Por isso, cada vez mais, precisamos pensar em um sistema de saúde mais estruturado, com portas de entrada para a atenção básica, atenção primária. Outra coisa é internalizar quem realmente precisa ficar dentro do hospital e desospitalizar quem não precisa. Ao entender esse conceito, vamos enxergar que o hospital é o local realmente preparado para quem precisa estar realmente hospitalizado”, declara ele. 

Emerson ainda cita Gonzalo Vecina Neto, fundador da Anvisa, que diz que, na pós-pandemia virá a onda de pacientes que não foram ao hospital, pois, como Francine lembra, “as pessoas desengajaram de ir ao hospital e deixaram de fazer seus tratamentos psiquiátricos, oncológicos...”. Um problema que certamente seria evitado com a desospitalização.

Os profissionais ainda frisaram sobre a importância de ter um sistema de saúde mais estruturado, onde possa se fortalecer nas adversidades, como essa pandemia de 2020.

“Vamos tentar melhorar o sistema de saúde, seja ele público ou privado, e entender que o hospital não é o elemento principal desse sistema. Se assim fosse, seria mais fácil de adaptá-lo”, pondera Emerson.

Cezar também pontua sobre a palavra adaptabilidade, que traduz pouco sobre as necessidades que o sistema deve entregar em suas diversas etapas. “Desde a chegada no consultório, até o seu percurso, para que ele [o paciente] possa percorrer todo o trajeto de tratamento, sem precisar passar pelo hospital para receber o tratamento efetivo”. Cezar ainda acrescenta: “ouço muito as pessoas falarem que não vão às UBSs, que vão direto ao hospital, pois o hospital tem tudo. Talvez seja um pensamento contaminado pela própria cultura que o sistema entrega. Se estivéssemos preparados nas pontas, o usuário entenderia que não precisa ir sempre ao hospital”.

Durante o bate-papo, Cezar, Francine e Emerson ainda analisaram sobre as demandas que os clientes estão pedindo para ter um hospital preparado para o ambiente pandêmico e as lições aprendidas com o surto de Covid-19. Se você ainda não assistiu ou gostaria de rever o vídeo, confira na íntegra aqui.